Crimes Digitais: Como Funciona a Investigação e a Coleta de Provas Digitais
- Eduardo Onofri Pallota
- 11 de dez. de 2025
- 3 min de leitura

A crescente digitalização das relações sociais transformou também a forma como crimes são cometidos e investigados. Entender como funciona a investigação em crimes digitais se tornou essencial para quem precisa se defender ou buscar justiça em casos que envolvem mensagens, redes sociais e aplicativos de comunicação.
Neste artigo, você vai descobrir como as autoridades identificam autores de crimes digitais, o que é cadeia de custódia de provas eletrônicas e quais métodos são juridicamente válidos para extração de conversas digitais.
Como Funciona a Identificação de Autores em Crimes Digitais
Diferente do que muitos imaginam, a internet não é um ambiente de anonimato absoluto. Cada ação online deixa rastros digitais que podem ser rastreados pelas autoridades competentes.
Rastros Digitais e Logs de Acesso
Quando alguém comete um crime através de plataformas digitais, diversos dados técnicos ficam registrados:
Endereço IP (internet protocol): identifica a conexão utilizada no momento do acesso
Metadados: informações sobre horário, localização aproximada e dispositivo usado
Logs de servidores: registros mantidos por provedores de internet e aplicativos
Cookies e histórico de navegação: marcadores que vinculam atividades ao usuário
A identificação de autores em crimes digitais depende da correta requisição judicial desses dados aos provedores de internet e às empresas de tecnologia. Um advogado criminal em Itajaí sabe exatamente quais informações podem ser solicitadas e como questionar provas obtidas irregularmente.
Quebra de Sigilo Telemático
A quebra de sigilo telemático só pode ocorrer mediante autorização judicial fundamentada. Esse procedimento permite o acesso a:
Registros de conexão à internet
Conteúdo de e-mails e mensagens
Dados armazenados em nuvem
Histórico de aplicativos
Importante destacar que solicitações genéricas ou sem justificativa adequada podem ser questionadas pela defesa, tornando as provas inadmissíveis no processo.
A Cadeia de Custódia em Provas Digitais
A cadeia de custódia é um conjunto de procedimentos que garante a integridade das provas desde sua coleta até o julgamento. Em crimes digitais, esse cuidado é fundamental para evitar adulterações.
O Que é Cadeia de Custódia Digital
Estabelecida pela Lei n. 13.964/2019 (Pacote Anticrime), a cadeia de custódia determina que toda prova deve ter:
Rastreabilidade completa: registro de todas as pessoas que tiveram acesso à prova
Preservação da integridade: garantia de que o conteúdo não foi alterado
Documentação detalhada: relatórios técnicos sobre coleta, armazenamento e análise
Hash criptográfico: código único que comprova a autenticidade do arquivo digital
Principais Falhas na Cadeia de Custódia
Erros comuns que podem invalidar provas digitais incluem:
Coleta sem perícia técnica adequada
Armazenamento em dispositivos não seguros
Ausência de documentação das etapas
Manipulação por pessoas não autorizadas
Falta de lacração digital dos arquivos
Quando a cadeia de custódia é rompida, um profissional especializado pode requerer a exclusão dessas provas do processo, o que frequentemente resulta em absolvição ou arquivamento do caso.
Crimes Digitais Investigação - Extração de Conversas Digitais: Prints São Suficientes?
Uma das dúvidas mais frequentes em processos envolvendo crimes digitais é sobre a validade jurídica de capturas de tela (prints) como prova.
Limitações dos Prints como Prova
Prints de conversas, embora muito utilizados, apresentam sérias fragilidades probatórias:
Facilidade de manipulação: existem aplicativos e sites que permitem criar conversas falsas
Ausência de metadados: não contêm informações técnicas que comprovem autenticidade
Impossibilidade de verificação: não há como confirmar se o conteúdo é original
Falta de contexto completo: podem omitir partes importantes da conversa
Por essas razões, tribunais têm exigido métodos mais robustos de extração de provas digitais.
Métodos Juridicamente Válidos de Extração nos Crimes Digitais Investigação
Para que conversas digitais tenham valor probatório pleno, é necessário utilizar:
Perícia Forense Digital: realizada por peritos oficiais que extraem dados diretamente do dispositivo, gerando relatório técnico com hash de verificação.
Ata Notarial Eletrônica: um tabelião acessa o aplicativo ou site e documenta o conteúdo visualizado, conferindo fé pública ao registro.
Espelhamento Judicial: mediante ordem judicial, a própria plataforma (WhatsApp, Instagram e Facebook) fornece cópia autenticada das conversas.
Backup Forense: extração completa do dispositivo preservando todos os metadados e permitindo análise técnica posterior.
Crimes Mais Comuns no Ambiente Digital
Ameaças por aplicativos de mensagem
Estelionato e fraudes digitais
Vazamento de imagens íntimas
Violação de direitos autorais
Crimes contra a honra em redes sociais
Conclusão
A investigação de crimes digitais envolve procedimentos técnicos complexos e garantias legais específicas. Compreender como funcionam a identificação de autores, a cadeia de custódia e os métodos válidos de extração de provas é essencial para qualquer pessoa envolvida nesse tipo de caso.
Se você enfrenta situação relacionada a crimes digitais, seja como vítima ou acusado, busque orientação jurídica especializada. A análise técnica adequada das provas e o conhecimento da legislação específica podem fazer toda diferença no resultado do seu caso.










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